quinta-feira, 25 de março de 2010

Enquanto as flores descansam






Na faculdade de comunicação se aprende que o papel jornal do grande furo noticioso de hoje vira embrulho de peixe amanhã. No fundo o que fica é o registro na lembrança de quem o fez, tal e qual o sal de prata queimado na emulsão fotográfica que eterniza um momento de luz.
Fotografei este que foi não o maior trabalho, mas certamente a maior prova de confiança depositada neste ser profissional que vos relata. O evento fotografado foi a VI Olimpíada do Conhecimento do SENAI e da World Skills América que recebeu neste março de sol mais de 70 mil visitantes nos cinco pavilhões do Rio-Centro.
A intrépida trupe de competidores foi recebida no Maracanãzinho enquanto técnicos acertavam as máquinas. Nos dias de competição meninos davam sopro de vida a suas criações e pensavam no futuro que não para de chegar. Alheia a tudo uma árvore repousa apoiada no operário que dorme poupado pelas sombras. Por onde ele passou um caminho de flores descansam.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ajudar a viver poeticamente





Tive o privilegio de fotografar na jovialidade dos seus 89 e uma simplicidade quase franciscana um dos maiores filósofos vivos. Edgard Morin fala de educação com a paixão de um combativo resistente francês e o mesmo brilho nos olhos dos jovens aos quais seus textos inspiram.
Filosofando em forma de poesia ou poetizando filosoficamente Morin diz que ajudar a viver é a questão fundamental da educação.
Diante de uma plateia maravilhada Edgard Morin concluiu seu denso e tênue discurso definindo ética em três frases:
A ética é resistir a crueldade de um mundo aético, resistir`a barbárie humana e por fim ajudar a viver poeticamente

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Meus presentes





Este ano como em outros que o precederam me dei um bom presente de natal e aniversário, que pra mim chegam no mesmo dia. Encomendei ao Pedrone um amplificador valvulado. O produto é um chassi de componentes eletrônicos e válvulas. Passei quase um ano buscando as madeiras certas que o suportassem. Por indicação de um amigo encontrei o marceneiro Rudimar que se encantou com o desenho que fiz e de forma brilhante deu forma ao sonho com o qual me presenteei.
Dia desses ganhei outro presente, desta vez uma surpresa em forma de trabalho. Fotografei o Erasmo Carlos, amigo fiel e irmão camarada do rei. Conta a lenda que a guitarra que ilustra a capa do disco San-ho-zay do Blues Etilicos é dele. Num canto da casa lá estava ela, a Gretsch Viking, uma ave rara. Perguntei ao Tremendão qual era a historia daquele intrumento e ele no alto de sua simplicidade e simpatia me disse que não tinha historia não. Um amigo me trouxe dos Estados Unidos em 1969. Usei-a em shows até pouco tempo atrás quando fui "proibido" pelo produtor liminha que me disse: "pô, bicho... esta guitarra é uma jóia, cuida dela com carinho em casa".

domingo, 6 de dezembro de 2009

O sonho da casinha



Talvez uma forma quase eficaz de se abrandar uma situação seja trocar-lhe o nome. Favela atende hoje por Comunidade. Favela, que já foi tema de alguns sambas antigos, com o tempo virou sinonimo de lugar insalubre. Vamos ver quanto tempo Comunidade fica nas paradas de sucesso.
Esta semana fotografei a que atende pelo nome de Batan e fica em Realengo. Fiz o trabalho e descendo o morro dei de cara com estes dois barracos. Além do notório desconforto do teto baixo que certamente potencializa o calor da área mais quente do Rio onde localizam-se estas moradias, a semelhança entre as duas é a fachada. Na primeira o sonho de consumir os produtos de uma loja que leva "casa" no nome. Mais abaixo encontrei esta outra cuidadosamente embalada em um cartaz de lançamento imobiliário. De frente a vizinha, Dona Dalmira da Cunha Franco, que mora ali com os sete filhos encontra ternura na voz e generosidade no ato pra me traduzir o que eu estava vendo: isto (o barraco embalado no cartaz) é o sonho que a gente tem de ter uma casinha".

domingo, 8 de novembro de 2009






Enquanto isso amanhece em certas regiões... Me veio muito esta música quando nesta semana cheguei muito cedo `a Lagoa Rodrigo de Freitas. A pauta: fotografar aqueles que acordam as garças. Certamente quem tão cedo madruga são, merecidamente, os primeiros na lista a quem Deus ajuda. Ver as primeiras luzes do dia chegando brandamente púrpura é recompensa e presente.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rio antigo







Reencontrei uma amiga daquelas que se gosta muito mas que não se vê faz tempo. Neste primeiro encontro ela me pediu um favor, um carinho que gostaria de fazer em um amigo que viria ao Rio. O favor foi acompanha-los numa tarde fotográfica com direito a umas dicas de boas maneiras no compor e enquadrar. Por mais ou menos uma hora caminhamos. Além do sorriso de Alice e do amigo Junior registrei estes momentos: um passeio a três; o reboco que cai; uma lembrança do antigo diluido no lixo moderno; uma interferência geométrica; a vitrine na calçada e o ladrilho hidráulico da Confeitaria Colombo

sábado, 10 de outubro de 2009

Tesouros





Alguns reencontros nos acontecem como presentes. Numa destas coincidencias da vida reencontrei com um grande amigo de infância que coleciona estes achados das matas de Guaratiba onde mora. Não sabe bem ainda o que fazer com elas mas colhe estas sementes e favas. No caminho de suas colheitas topou com esta caveira de macaquinho. O amigo Renato coleciona tesouros que tem seu valor no simples ato do acolhimento