quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rio antigo







Reencontrei uma amiga daquelas que se gosta muito mas que não se vê faz tempo. Neste primeiro encontro ela me pediu um favor, um carinho que gostaria de fazer em um amigo que viria ao Rio. O favor foi acompanha-los numa tarde fotográfica com direito a umas dicas de boas maneiras no compor e enquadrar. Por mais ou menos uma hora caminhamos. Além do sorriso de Alice e do amigo Junior registrei estes momentos: um passeio a três; o reboco que cai; uma lembrança do antigo diluido no lixo moderno; uma interferência geométrica; a vitrine na calçada e o ladrilho hidráulico da Confeitaria Colombo

sábado, 10 de outubro de 2009

Tesouros





Alguns reencontros nos acontecem como presentes. Numa destas coincidencias da vida reencontrei com um grande amigo de infância que coleciona estes achados das matas de Guaratiba onde mora. Não sabe bem ainda o que fazer com elas mas colhe estas sementes e favas. No caminho de suas colheitas topou com esta caveira de macaquinho. O amigo Renato coleciona tesouros que tem seu valor no simples ato do acolhimento

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pré-fotochopi


Estas duas imagens revertidas para Preto e Branco tem uma pegada da fotografia que se praticava antes do advento da cor e seu desdobramento natural que foi a chegada do digital`as redações de jornais. Os filmes eram usados com parcimônia, inversamente proporcional `a criatividade e senso de oportunidade daqueles que apertavam o obturador das câmeras. Uma única imagem contava a estória e fim de papo.
Na primeira imagem feita com um celular o muro limita duas realidades tecnológicas distintas. De um lado visitantes inebriados com tudo o que há de mais moderno no prédio do Oi Futuro no Flamengo. Do outro um casario em tom cinza medieval abriga carroças de ambulantes com futuro incerto e presente duvidoso. Algumas fileiras de tijolo e cimento separam o Oi futuro do Tchau presente.
Na segunda foto graças a uma mágica ilusão de ótica criada pelo monitor de TV o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo aparece em dupla e fala sobre o pré-sal que nos multiplica as esperanças em um futuro, quem sabe, com muros sociais menos espessos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Auto retrato



Talvez o primeiro retratista a decretar a impossibilidade de auto-retratar-se tenha sido o melhor deles: Van Gogh. Muito amigo de Gaugin numa de suas caminhadas surpreendeu o companheiro com uma navalha aberta. Voltou pra casa e movido pelo remorso cortou a própria orelha. Depois de 14 dias de hospital pintou o "Auto retrato com a orelha cortada".
Quem passa ao lado do teatro Maison de France no centro do Rio tem a oportunidade de se olhar naquela que talvez seja a mais fiel das imagens de si próprio. No muro uma instalação com uma tela composta por centenas de pequenos espelhos. Como que se perguntasse qual o melhor retrato que temos de nós mesmos nos mostra num mesmo quadro a plural multidiversa diversidade que somos nós.
Retratei o retrato do Villa- Lobos. O quadro é um tríptico (tres telas formando uma) e mora no Museu Villa- Lobos. Lá chegando me pediram que procurasse o Turibio. Pensei que fosse o moço da portaria ou da administração. Me surpreendi com a simplicidade do Turibio Santos que desceu as escadas pra me mostrar a tela. Na parede da minha ingenuidade havia pendurado o quadro de um circunspecto, talvez sisudo senhor.
Fiquei feliz de ver o retratão que se transformou minha reprodução da tela e me animei. Pedi ao amigo Mario Saladini que me "auto-retratasse" com o Villa.
O pugliesi que conheci cabeludo na faculdade hoje pilota a Approach, certamente uma das maiores agência de comunicação corporativa do Rio comenta com carinho meu blog no seu.
http://www.approach.com.br/pt/blogs/post/200/A_arte_de_fotografar.html

domingo, 23 de agosto de 2009

Luz de palco






No palco é assim: luz, câmera fotográfica anonima num canto do teatro e ação.
As possibilidades de uma cena iluminada beiram o infinito. O ator entrega seu corpo e a alma do retratado conta a estória. A luz milimétricamente pontual desenha as emoções e por alguns momentos o respeitável público observa a vida contada. O barulho do espelho levantando milésimos de segundo antes da imagem ser registrada num aparato eletrônico sinaliza a existência do tempo presente.
A luz em três atos:
- O ator Bruce Gomlevsky mostra o lado humano de um ídolo na peça "Renato Russo";
- Com os sapatos de salto na cabeça e uma iluminação pontualmente precisa a beleza doce de Elisa Lucinda se transforma no retrato do mal;
- Furtivamente ceifada a vida se vai como uma chama em "O rei da vela"

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cariocagens





Dizer que o Rio de Janeiro é único não precisa pois todos os lugares do mundo o são e compará-los atenta contra o bom senso. Por questões culturais que tem muito a ver com o tipo de colonização que tivemos (ou não ) o carioca é singular. Cabem três exemplos.
No boteco do Lgo de São Francisco o comerciante sensível a crise mundial anuncia a novidade do estabelecimento: meio bolinho.
Na praia a média com o colonizador português. Um mastro ostenta em ordem crescente de simpatia as bandeiras da Alemanha que é minúscula, Portugal e Brasil.
Na Lapa o carioquíssimo artista plástico chileno, Jorge Selarón, encanta as turistas e renova com azulejos de vários países do mundo a escadaria que lhe homenageia com o nome. A escadaria Selarón é uma obra em movimento pelas pessoas que por ali passam e pelo carinho renovado do artista.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A beleza das Telhas






Fotografia pra mim sempre foi `a vera. Profissão, ganha pão. As poucas lembranças que tenho de ter na câmera o curtir do diletante foi na adolescencia quando tive uma Love. O nome é este mesmo. Era um amor de camerazinha descartável. Você fotografava e mandava a câmera pra revelar. Em troca te davam uma nova e as cópias nem sempre muito nítidas da anterior. Depois dela ganhei de presente uma Miranda e já olhava pra ela como quem pergunta se ela me ajudaria a viver das suas imagens.
"Ter força pro trabalho é um privilégio, viver do que se gosta, maior ainda". Observando o Flavio trabalhar me veio em mente este pensamento. Para muitos montar um telhado pode ser um fardo braçal que não inspira maior contemplamento. No entanto, bonito de se ver é o entusiasmo do profissional que me chama pra mostrar a beleza que tá o alinhamento das ripas sustentadas por caibros milimetricamente paralelos. Quanta poesia tem aqueles cálculos matemáticos de beleza simples. Flavio faz aquilo com a naturalidade de quem pedala uma bicicleta. Fácil pra quem sabe. Difícil pro pedreiro é posar pra foto mirando o horizonte.
Enquanto isso o ajudante Chico segura a guia de uma ripa que espera o prego. O olhar é distante e o gestual traz`a lembrança o desfilar orgulhos de quem na procissão nordestina leva a bandeira do santo.